Benjamin Biolay

Benjamin Biolay e Marilyn Monroe

agosto 07, 2012

Quem nunca passou debaixo de uma ventilação de metrô e esperou passar aquele ventinho pra levantar a saia? Pois eu já. E sempre acho graça, mesmo que lutando desesperadamente para esconder as vergonhas - e, muitas vezes, a depilação vencida - do mundo que parece não conseguir apreciar mais a sutileza do erotismo discreto.

Domingo passado fez 50 anos que o mundo perdeu a rainha da sensualidade dos meados do século XX. Ela era linda, engraçada, inteligente, insegura e, vamos admitir, meio louca, mas ninguém jamais foi como Marilyn Monroe.

Ela inspirou gerações com os seus cabelos, roupas provocantes, poses e trejeitos, e foi copiada, imitada, homenageada e referenciada à exaustão. É natural, portanto, que a música pop tivesse falado dela, e o Le Figaro até listou algumas das canções inspiradas por Monroe ao longo das últimas décadas.

A lista é interessante, mas achei curioso que o Figaro tenha esquecido a homenagem francesa mais bonita dos últimos 10 anos e decidi fazer justiça aqui.

O primeiro disco de Benjamin Biolay, chamado Rose Kennedy - um álbum que trada da família do ex-presidente JFK -, fala repetidas vezes de Marylin, utiliza samples da voz dela em algumas músicas, usa um pedaço de River of no Return em Les cerfs volants, e o videoclipe de Les Roses e les Promesses até simula uma cena de um quarto parisiense no dia da morte da diva.





Li aqui que os samples da voz de Marilyn foram tirados do mais que excelente Quanto mais quente melhor, de Billy Wilder. Recomendo fortemente este filme. Tirando os óbvios, recomendo também How to marry a millionaire com a extraordinária Lauren Bacall (não sei o nome em português, quem souber, por favor, comente!)* e, claro, o Adorável Pecadora, filme com Yves Montand.

*Segundo o Vinicius, que comentou aqui embaixo, o nome do filme em português é "Como agarrar um milionário".

Homenagens

The day that the rains came down

fevereiro 13, 2012

O ótimo site Pure Charts publicou hoje uma notícia falando que a música escolhida para ser o primeiro single para promover o disco em homenagem a Gilbert Bécaud é a versão de The day that the rains came down, cantada pela alemã Ayo com a banda Readymade FC.

O disco foi lançado no fim do ano passado e tem a participação de gente como Alain Souchon, Olivia Ruiz, Renan Luce, Alex Beaupain e Patrick Bruel. No entanto, a versão que se destaca é mesmo a de Ayo, e eu não poderia concordar mais com esta escolha.

Deliciem-se.

Filmes

Um americano em Paris

fevereiro 01, 2012

Escrevendo sobre o novo lançamento da Anaïs, me dei conta de que nunca assisti o clássico Um americano em Paris. Vou corrigir esta falha em breve, mas, enquanto isso, deixo com vocês o trailer do filme que ganhou o Oscar em 1951 e que tem a participação do indefectível Gene Kelly.



Página de La Guerre d' Allan
de Emmanuel Gilbert
Aliás, um amigo meu contou que o quadrinista francês Emmanuel Guibert narrou em seu livro La guerre d'Alan a história de quando conheceu, durante a Segunda Guerra Mundial, um rapaz americano que almejava voltar para os EUA e se tornar dançarino profissional. A história mostra que, depois, Guibert se surpreendeu ao um dia ver o seu companheiro de batalha no cinema: tratava-se de Donald O'Connor, o companheiro de Gene Kelly em Dançando na Chuva.*

Eu sou fã incondicional do Gene Kelly, acho que ele foi um ser humano iluminado. Daí fui procurar agora mais informações sobre ele e percebi que amanhã fazem 16 anos do dia de sua morte. Estranho.

Por isso, embora fuja um pouco do assunto aqui do blog, uma homenagem se faz mais do que necessária. Vamos relembrar este dançarino inacredítavel?



E, para fechar com chave de ouro, um cover encantador de Singin' in the rain, cantado pela atriz francesa Nora Arnezeder e lançado pela Naïve.

E vocês aí achando que eu não ia conseguir fazer um elo com música francesa, hein?



P.S.: Eu nem conto para vocês quantas vezes na vida eu tentei imitar a dancinha do Gene Kelly nos meios fios de Belo Horizonte.

*Trecho reeditado no dia 05/02/11 com correção de informações e anexação da página do livro mencionado.

Homenagens

Shakespeare and Company

janeiro 02, 2012

Acabei de ler no Le Monde sobre a morte de George Whitman, o criador da famosa livraria que fica em frente à Igreja de Notre Dame e que já é há muitos anos um ponto turístico em Paris.

A pequena livraria, fundada em 1951, foi chamada primeiramente de Le Mistral, mas mudou o seu nome depois para Shakespeare and Company. A razão da troca foi a vontade de fazer uma homenagem à antiga livraria da famosa Sylvia Beach, que havia criado a uma livraria no início do século que se tornou, rapidamente, em um ponto de referência em Paris.

O endereço de Sylvia - 12, rue de l'Odéon - foi fechado durante a Segunda Guerra, mas até hoje carrega uma placa contando a história da livraria que ajudou a publicar Ulysses de James Joyce, em uma época em que todas as editoras o rejeitaram.

O endereço fervilhava de aspirantes a escritores e de norte-americanos apaixonados pelas letras, já que era especializada em livros de língua inglesa. A filosofia de Sylvia era de tornar a sua livraria em um espaço de apreciação das letras e ela, sempre generosa, chegava a emprestar livros para aqueles que não tinham dinheiro para pagar. É o caso, por exemplo, de ninguém menos que Ernest Hemingway, que conta maravilhado das suas visitas à Shakespeare and Company onde a gentil Sylvia emprestava o que ele quisesse ler. 

E foi esta mesma filosofia que George Whitman adotou na sua versão da Shakespeare and Company. Durante os anos dos Beats, ele recebeu gente como Allen Ginsberg e Jack Kerouac. O endereço já apareceu em vários filmes e é visita necessária para qualquer amante de livros que for a Paris.

Whitman morreu no último dia 14 e foi enterrado no cemitério de Père Lachaise. A livraria fica nas mãos da filha dele, Sylvia Beach Whitman. No site oficial, ainda dá pra ver a bela homenagem a Whitman.



Clássicos Franceses

Jeff Buckley

novembro 17, 2011

O meu músico preferido da década de 90 teria feito 45 anos hoje, se não tivesse morrido afogado no rio Mississipi aos 27 anos. Jeff Buckley não era francês, mas certamente tinha a alma de um. Adorava Édith Piaf e Nina Simone, cantou para uma multidão apaixonada no Olympia e fez uma versão linda de Hymne à l'amour, que você pode ouvir aí embaixo.


Alain Souchon

Monsieur 100 000 volts

novembro 16, 2011

Gilbert Bécaud foi uma figura muito importante para a história da música francesa. Apelidado de Monsieur 100 000 volts pela sua presença enérgica nos palcos -  principalmente na sua casa de shows preferida: o Olympia de Paris - o cantor se manteve popular por 50 anos na França, e é responsável por grandes hits que se tornaram sucesso no mundo inteiro.

Bécaud teve algumas de suas canções traduzidas para o inglês e elas foram cantadas por gente do primeiro escalão, como Frank Sinatra, Nina Simone, Bob Dylan, Willie Nelson, Elvis Presley, Neil Diamond, Sonny and Cher, e James Brown (e estes são só alguns!).

As duas músicas mais conhecidas mundialmente são Let it be me, popularizada pelos Everly Brothers (e originalmente chamada de Je t'appartiens) e What now my love (escolhi a versão de Elvis Presley, mas ela foi cantada por muitos outros). Escuta aí:





Em razão dos seus 10 anos de morte, será lançado, no dia 05 de dezembro, um disco em homenagem ao artista com a participação de alguns dos preferidos aqui do blog cantando seus grandes sucessos. Veja abaixo a lista de músicas deste disco que promete!

Luz Casal - Je reviens te chercher
Alain Souchon - Alors raconte
Ayo - The day the rains came down
Olivia Ruiz - Les tantes Jeanne
Julien Clerc - C’est en septembre
Alex Beaupain - L’Absent
Renan Luce - Dimanche à Orly
Serge Lama - La rivière
Lynda Lemay - Nos Mains
Anggun - Let it be me
Bénabar et Gérard Darmon - L’indifférence
Patrick Bruel - Nathalie
Eddy Mitchell - Je t’appartiens
Johnny Hallyday - Et maintenant
Peter Cincotti - What now my love

Chanson de Lundi

Chanson de Lundi

outubro 03, 2011

Ando ouvindo muito "Je suis venu te dire que je m'en vais", de Serge Gainsbourg.

A versão original, de Gainsbourg, na minha opinião, é a melhor. No entanto, a de Coeur de Pirate é linda também. E é essa a chanson de lundi desta semana.



E, para quem gostou, segue abaixo outra versão de um clássico francês feita por Coeur de Pirate. Essa eu AMO. Tem uma atmosfera retrô, mas ao mesmo tempo é moderna e simpática.



Lembrando que "Tous les garçons e les filles" foi composta e transformada em hit pela musa absoluta Françoise Hardy.

Benjamin Biolay

Notícias

maio 18, 2011

Saiu hoje o trailer do novo filme inspirado pelos quadrinhos do Tintin (ou "Tantan", como dizem os franceses).



Para quem não sabe, Tintin é, até hoje, febre na França e seus quadrinhos são objetos de colecionador, sendo que algumas edições são impossíveis de achar.

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Sai, no próximo dia 06, um disco de homenagem ao cantor Jacno, morto em novembro de 2009. O disco conta com a participação de gente como Benjamin Biolay, Thomas Dutronc, Dominique A e vários outros nomes que já apareceram diversas vezes aqui no blog.

E quem estiver em Paris no dia 30 de junho não pode perder o show de homenagem a Jacno, que contará com todas as presenças ilustres citadas acima e mais outras. É imperdível.

Benjamin Biolay

Chanson de Lundi

maio 16, 2011

A chanson de Lundi de hoje é uma música linda do Benjamin Biolay. Ela pertence ao meu disco preferido do cantor e compositor, o "Rose Kennedy".

No álbum, Biolay faz uma homenagem a Marilyn Monroe usando samples de falas da atriz em filmes clássicos que ela estrelou. Em "Les Cerfs Volants", Biolay chega a fazer um dueto com Monroe usando um pedaço da música "The river of no return", que Marilyn canta no filme homônimo.

O videoclipe da chanson de Lundi de hoje, chamada "Les roses et les promesses", mostra bem a fixação de Biolay por Monroe:



The river of no return:



Les cerfs volants:

Homenagens

Pink Martini no Brasil!!

maio 08, 2011

É com um tanto de surpresa e muito prazer que eu escrevo este post. Finalmente, uma das minhas bandas preferidas (que já tocou incontáveis vezes no Sob o céu de Paris), vem ao Brasil fazer show.

A má notícia é que serão apenas dois e em lugares não tão acessíveis para quem mora fora do Estado de São Paulo. A programação certinha, você pode ver clicando aqui.

Para quem não se lembra, o Pink Martini é aquela banda que lançou, em 1997, a música Sympathique, que já foi tema de comerciais de TV, apareceu em filmes, séries de TV, compilações famosas e até em quadro do Fantástico.




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Uma curiosidade sobre esta música é que, ao contrário do que é difundido na internet, Sympathique é uma música original, composta pelo próprio Pink Martini e cantada unicamente pela China Forbes, vocalista da banda. Falo isso porque já vi espalhados em vários lugares na internet a história de que Sympathique contém samples de Édith Piaf e que o refrão "Je ne veux pas travaillez", é cantado pela Môme. A informação equivocada já se estendeu tanto que grandes mídias ainda informam a referência errada sem verificar as fontes corretamente (como esta ao lado do Estadão). Confira aqui a matéria completa feita pelo Estado de São Paulo e com direito a entrevista com a banda.

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Depois do sucesso do disco debut Sympathique, a banda lançou mais 4 discos: o Let's never stop falling (cuja música homônima foi parar no box office "Sr. e Sra. Smith")*; Hey Eugene; Splendor in the grass; e, muito recentemente "Joy to the World", disco com clássicos natalinos norte-americanos.

Em todos os discos (com exceção do "Joy to the World"), a banda mantém a sua essência de "antropólogos da música" - como eles próprios se classificam - cantando músicas em vários idiomas. Para se ter uma idéia, a banda já cantou em italiano, japonês, espanhol, russo, português, ucraniano e, claro, francês. Aqui embaixo vocês podem ouvir todas as músicas que o grupo gravou em francês.

*Conforme o leitor Aynore postou nos comentários, a música que entrou no filme foi Let's never stop falling in love e não Hang on little tomato, como que havia escrito anteriormente.









Homenagens

Vieille Canaille

abril 07, 2011

Sábado passado, Serge Gainsbourg, se estivesse vivo, completaria 83 anos. A mesma idade do meu avô. E essa é uma comparação engraçada, já que meu avô, que foi da FAB, não tinha absolutamente nada de Gainsbourg. Se comparados, meu avô provavelmente pareceria o avô de Gainsbourg. Mesmo assim, eles tinham a mesma idade, e Gainsbourg, ariano que só ele, tinha alma de criança: gostava de desafiar, testar limites, rebelar-se contra tudo, até contra si mesmo.

Conforme prometi aqui, vai agora a difícil lista de 10 melhores músicas de Gainsbourg:

1. Je suis venu te dire que je m'en vais
2. La Javanaise
3. Elisa
4. Marilou sous la neige
5. Le poinçonneur de Lilás
6. L'eau à la bouche
7. L'anamour
8. Ces petits riens
9. S.S. in Uruguay
10. 69 année érotique

P.S.: Não me critiquem por deixar de fora "Je t'aime, moi non plus". É só que acho que Gainsbourg é tão maior do que este hit conhecido pelos brasileiros como "música de propaganda de motel".

E, para fechar, fica aí embaixo uma música que teve que ficar de fora da lista por não caber, mas seria o décimo primeiro lugar facilmente, se esta fosse uma lista de 11 melhores. A versão é do nosso queridinho Ben L'Oncle Soul.

Ben L'Oncle Soul

20 anos sem Gainsbourg

fevereiro 24, 2011

No próximo 2 de março, fazem 20 anos que o mundo perdeu Serge Gainsbourg. Para homenagear a data, vários shows tem sido realizados com artistas atuais cantando os clássicos do maior compositor de música pop que a França já teve.


O Taratata convidou uma série de artistas e as minhas versões preferidas são essas aqui:

Ben L'Oncle Soul (claro!) cantando Vieille Canaille com Sly Johnson:



Ours com Hollysiz cantando "Chez les yéyés"

Já o Canal 2 também fez outro especial, o "20 ans déjà":




E tudo isso me fez lembrar de uma ótima versão de Gainsbourg feita por Benjamin Biolay e Julien Clerc alguns anos atrás:



* As dicas das homenagens a Gainsbourg, eu peguei do ótimo site Filles Sourires.

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