Publicado hoje, n'O Globo.
O excelente canal de TV francês Arte fez uma parceria com o estúdio Small Bang, especializado em aplicativos para smartphones, e lançou o que, provavelmente, vai se tornar o app mais legal sobre Paris jamais feito. A ideia é parecida com aquela que eu postei aqui no começo de maio, onde eu mostrei, em um mapa do Google, quais os pontos de alguns dos filmes mais famosos que têm locações na Cidade-Luz.
Eu mesma sempre tive planos de lançar uma aplicação parecida, mas nunca tive meios, já que não sei programação e, por isso, fiquei mais do que contente de ver que alguém teve a mesma ideia e conseguiu executá-la. O nome do app é Cinemacity e está disponível, por enquanto, em francês, inglês e alemão tanto na plataforma iPhone quanto Android. O software mapeia diversas locações de vários filmes e ainda sugere passeios temáticos onde o usuário pode percorrer locais imortalizados por animações e clássicos do cinema. O serviço, inteiramente gratuito, ainda informa o tempo necessário para cada caminhada e dá uma descrição breve sobre a cena que foi filmada em cada local, assim como uma ficha técnica do filme.
TEASER CINEMACITY - English Version from SMALL BANG on Vimeo.
Publicado hoje, n'O Globo.
As origens do famoso tapete vermelho remontam desde a época da Grécia antiga e os historiadores não sabem precisar exatamente quando começou a tradição. É certo, no entanto, que hoje em dia não há festival ou comemoração de luxo que se preze que não conte com a perpetuação deste curioso hábito milenar. Naturalmente, Cannes, um dos maiores festivais de cinema do mundo, obedece a tradição grega e estira, diariamente, 3 tapetes vermelhos ao longo dos 10 dias de festival.
Martin Esposito é um francês de 36 anos que passou a sua adolescência atrás de ondas para fazer windsurf e, sempre em contato íntimo com a natureza, acabou virando um ativista ecológico. Com família na Côte d'Azur, em 2008 decidiu começar a fazer um documentário sobre os lixões que via em torno da sua região, considerada uma das mais belas da França. Foi aí que, um dia, Martin viu um caminhão chegar com quilômetros de tecido vermelho e logo se deu conta de que se tratava do tapete onde as estrelas cinematográficas caminham diariamente em direção a projeções e premiações.
Deste contato, surgiu o filme "Super Trash", que acabou inspirando entidades de apoio ao meio-ambiente a fazerem uma petição online sugerindo que, em Cannes, se trocasse o tapete vermelho uma vez ao dia, em vez de 3, economizando, assim, cerca de 12 quilômetros de tecido que, invariavelmente, serviriam para que as estrelas caminhassem por algumas horas e depois para entupir rios e matar vida durante anos. Uma vez por dia me parece uma concessão bem razoável, não é?
Publicado n'O Globo.
O estilista Karl Lagerfeld, responsável pelas criações da marca Chanel desde 1983, realizou um curta metragem para comemorar os 100 anos da maison da qual faz parte e relembrar o início da carreira da mulher que revolucionou a moda e mudou a maneira de vestir das mulheres do mundo inteiro para sempre.
Como já tinha sido noticiado aqui, a atriz escolhida para interpretar mademoiselle Chanel foi Keira Knightley, embaixadora da marca francesa desde 2006. O curta, de 13 minutos, remonta a época em que Coco abriu a sua primeira loja em Deauville, norte da França, e ainda era uma designer de chapéus sustentada pelo seu amante, o playboy inglês Boy Capel (cuja morte, supostamente, inspirou a criação do perfume Chanel N°5, como eu contei aqui).
O filme é esteticamente muito bonito, com o figurino, obviamente, impecável. Ele perde, no entanto, pelas atuações pouco naturais e pela simploriedade do roteiro, que falha em mostrar a essência desta época - em que os hábitos estavam mudando com tanta intensidade - que produziu e possibilitou a existência de uma grande personalidade como Gabrielle Chanel.
No final, a impressão que se dá é que tudo foi um desfile de moda em forma de cinema, com algumas informações importantes sobre a personagem principal jogadas sem muito aprofundamento. Mesmo assim, vale ser assistido pela composição geral: música linda, fotografia incrível e imagens belas cheias das peças de roupas mais bem cortadas e perfeitas que se pode exigir.
O filme foi mostrado pela primeira vez no último dia 08, em Singapura, e é falado em inglês, ainda sem legendas em português.
Você já se perguntou onde ficam as escadarias que o personagem Gil, do filme "Meia-noite em Paris", espera todas as noites pelo carro que vai levá-lo de volta ao tempo? Ou onde fica o Café que Amélie Poulain trabalhava em Paris? Ou até mesmo onde o compositor Serge Gainsbourg morou a maior parte de sua vida? Ou onde Édith Piaf, Oscar Wilde e Jim Morrison estão enterrados?
Pois é, para comemorar os 5 anos do Sob o céu de Paris (sim! cinco anos!), eu preparei um mapa com todas estas informações e mais algumas outras para você, que quer olhar e conhecer Paris de um jeito diferente. Para entender todos os pontos abaixo, basta clicar no mapa e ir explorando cada marcação. Cada ponto tem uma legenda explicando direitinho o porquê dele estar ali. Ah, e sugestões de vocês são MAIS do que bem-vindas. Tem algum ponto importante que eu esqueci de colocar? Me manda um email: penelope@soboceudeparis.com
View Sob o céu de Paris - www.soboceudeparis.com in a larger map
Falar que eu acredito no poder transformador da música é, no mínimo, redundante. Se não fosse assim, eu não teria criado, quatro anos atrás, um blog dedicado ao assunto justamente com o propósito de transportar as pessoas para um lugar através de canções.
Hoje, logo depois de acordar, tive uma lembrança deste poder da música. Acordei por volta de sete da manhã e, com um certo mau humor por não ter conseguido dormir mais um pouquinho, levantei e fui começar o dia. O problema aí é que o dia, ele mesmo, ainda não tinha começado. A esta época do ano, aqui em Paris, o sol se levanta por volta de 8h30 da manhã, o que significa que eu ainda estava longe de ver qualquer luz.
Leitores, eu nem reclamo muito do frio, ele não me incomoda tanto, mas a falta de luz é uma das coisas que pode levar um ser humano à depressão facilmente. Enquanto eu reclamava comigo mesma e sonhava com a chegada do tão ansiado solstício de inverno (que daí pra frente, é só alegria, com a luz do sol aumentando um minuto a cada dia), liguei o rádio e - olha! veja só! -, de repente, meu bom humor volta e meu dia fica alegre!
O motivo? Esta música aí embaixo que estava tocando justamente na hora que liguei o rádio:
Eu assisti ontem ao ótimo filme Ruby Sparks e não pude deixar de notar a presença de músicas francesas na trilha sonora. São, ao todo, três músicas francesa que tocam ao longo da película, mas sempre em momentos importantes. Recomendo fortemente, não só ouvir as canções, como ver o filme!
Eu finalmente assisti, no último sábado, o filme sobre a vida do Claude François, do qual já falei aqui e aqui. Eu nunca fui super fã do Cloclo, mas admiro a personalidade que ele se tornou. O filme, claro, mostra lados de Cloclo que não são muito agradáveis, como qualquer filme sobre uma pessoa real, no entanto, há de se admirar a perseverança deste grande artista da música francesa.
Boa semana para vocês!
A adaptação, dirigida por Vincente Minelli e estrelada por Maurice Chevalier, acabou ganhando 9 Oscars, entre eles o de Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora, e ainda rendeu a Chevalier um Oscar de Menção Honrosa pela sua contribuição ao mundo do entretenimento.
Em homenagem a Chevalier (o bonitão da foto ao lado), que teria feito aniversário no último dia 12, posto aqui a deliciosa Thank heaven for little girls.
Aliás, esta música foi usada em um comercial recentemente e, quem souber, por favor, deixar o nome da marca nos comentários. Estou tentando lembrar desde ontem!
O aniversariante da semana é o pai da querida Amélie Poulain. Jean-Pierre Jeunet nasceu em Roanne, na região do Loire, no dia 03 de setembro de 1953. Além da deliciosa Amélie, ele contou histórias ótimas no cinema, como o belíssimo Eterno amor e Micmacs.
E como a trilha sonora de Amélie Poulain já parou de tocar exaustivamente nos Cafés e lojas cool deste país, já me acho no direito de postar aqui no blog um pedaço dela. É a primeira vez na história do blog que posto uma música da Amélie! Abaixo estão as minhas favoritas:
Para alegrar este fim de dia, posto aqui a cena (linda!) em que Pierre Barouh canta a versão francesa de Samba da Benção no clássico Un homme et une femme.
Outro que parece interessante é o Paris-Manhattan, que conta com a atuação de Patrick Bruel e fala sobre uma jovem obcecada pelo Woody Allen.
E para aqueles que, como eu, não estão se aguentando pra ver Cloclo, veja de novo o trailer do filme, pra ajudar na ansiedade!
Quem nunca passou debaixo de uma ventilação de metrô e esperou passar aquele ventinho pra levantar a saia? Pois eu já. E sempre acho graça, mesmo que lutando desesperadamente para esconder as vergonhas - e, muitas vezes, a depilação vencida - do mundo que parece não conseguir apreciar mais a sutileza do erotismo discreto.
Domingo passado fez 50 anos que o mundo perdeu a rainha da sensualidade dos meados do século XX. Ela era linda, engraçada, inteligente, insegura e, vamos admitir, meio louca, mas ninguém jamais foi como Marilyn Monroe.
Ela inspirou gerações com os seus cabelos, roupas provocantes, poses e trejeitos, e foi copiada, imitada, homenageada e referenciada à exaustão. É natural, portanto, que a música pop tivesse falado dela, e o Le Figaro até listou algumas das canções inspiradas por Monroe ao longo das últimas décadas.
A lista é interessante, mas achei curioso que o Figaro tenha esquecido a homenagem francesa mais bonita dos últimos 10 anos e decidi fazer justiça aqui.
O primeiro disco de Benjamin Biolay, chamado Rose Kennedy - um álbum que trada da família do ex-presidente JFK -, fala repetidas vezes de Marylin, utiliza samples da voz dela em algumas músicas, usa um pedaço de River of no Return em Les cerfs volants, e o videoclipe de Les Roses e les Promesses até simula uma cena de um quarto parisiense no dia da morte da diva.
Li aqui que os samples da voz de Marilyn foram tirados do mais que excelente Quanto mais quente melhor, de Billy Wilder. Recomendo fortemente este filme. Tirando os óbvios, recomendo também How to marry a millionaire com a extraordinária Lauren Bacall (não sei o nome em português, quem souber, por favor, comente!)* e, claro, o Adorável Pecadora, filme com Yves Montand.
*Segundo o Vinicius, que comentou aqui embaixo, o nome do filme em português é "Como agarrar um milionário".
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