(Publicado hoje, no Conexão Paris)
As cinebriografias de grandes cantores franceses estão na moda. Depois do enorme sucesso de Piaf - Um hino ao amor, chegou às telas de Paris no último dia 15 o filme Cloclo, sobre a vida de Claude François, de quem já falei aqui no Conexão Paris.
Durante esta semana, depois de Cloclo - que já é um sucesso de bilheteria na França -, foi anunciado um filme sobre a vida de Yves Montand. Segundo o artigo que eu li, a película tem previsão de lançamento para 2014 e o ator principal será Thierry Neuvic. No entanto, ainda permanece um mistério quem será a escolhida para encarar a (difícil) tarefa de encarnar Marylin Monroe.
Yves Montand foi um ator e cantor francês que nasceu na Itália em 1921. Filho de uma família comunista, seus pais se exilaram em Marseille fugidos do regime fascista de Mussolini. Em 1944, foi descoberto em por Édith Piaf, que o lançou ao estrelato e com quem teve um relacionamento amoroso.
Além de um grande crooner, Yves foi um ator muito bem sucedido e, apesar de ser conhecido como um homem de muitas mulheres, foi casado durante 34 anos - até a morte dela - com a atriz Simone Signoret. Depois de conquistar fama mundial e estrelar em diversos filmes em Hollywood, os casos extraconjugais se tornaram internacionais. Além de Marylin Monroe, que na época ainda era casada com Arthur Miller, ele também teve um caso com a grande Shirley MacLaine.
Reparem no charme do homem:
O filme que estrela ao lado de Marilyn, chamado no Brasil de Adorável Pecadora, é uma delícia de ver, tanto para fãs dela quanto dele. Um detalhe: o roteiro foi co-escrito por Arthur Miller, que era amigo próximo de Montand e o indicou para o papel. E foi durante as filmagens que ele teve um caso com a esposa de Miller!
Yves Montand morreu em 1991, um dia depois de terminar as filmagens do filme Netchaïev est de retour, no qual interpretou um personagem que morre de ataque do coração. Curiosamente, esta também foi a causa da morte deste grande ícone francês. Ele está enterrado ao lado de Simone Signoret, no cemitério de Père Lachaise.
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Yves Montand também foi o responsável pela escolha do nome deste blog. Fiquei encantada quando ouvi pela primeira vez a sua versão da música Sous le ciel de Paris, interpretada por ele (e por vários outros).
Não é segredo para ninguém que eu estou morrendo de ansiedade para o lançamento do disco póstumo de Henri Salvador, que está sendo produzido por ninguém menos que Benjamin Biolay e será lançado no dia 18 de junho deste ano, com o nome de Tant de temps.
E é por isso que eu fiquei super animada quando abri, há poucos minutos, um post falando que já saiu uma prévia do disco e que podemos escutar um pedacinho da música Ça n'a pas d'importance, composição inédita do homem mais simpático já nascido na Guiana Francesa!
A leitora Manuela Barem me escreveu pedindo para comentar sobre a música Zou Bisou Bisou, cantada por uma personagem no episódio de estréia da quinta temporada de Mad Men, que foi a ar esta semana, nos EUA.
A série estréia no Brasil no dia 23 de abril mas, para quem quiser ver um pedacinho, é só clicar no player abaixo.
Eu, que sou fã de Mad Men, fiquei completamente desconfortável com a cena, mas isso porque conheço bem o personagem de Don Draper e ele pude notar que ele estava estarrecido com a performance da nova esposa.
Abaixo, a gravação original, de Gillian Hills. Para quem não se lembra, Gillian é a moça que participa do ménage à trois com Jane Birkin no clássico Blow-up, de Antonioni.
E um cover da diva italiana Sophia Loren.
Ispirada pela exposição que começou no dia 08 de março em Paris (dica da Lina, do Conexão Paris) sobre a história da chanson française, decidi fazer uma lista imensa de canções sobre a Cidade-Luz.
Inflingindo em mim mesma uma tarefa hercúlea, tirei o meu domingo para catar, nesta enorme lista de 2750 canções sobre Paris, as 100 músicas que eu mais gostasse sobre Paris. Comecei empolgada, mas logo percebi que cem músicas, além de ser muita coisa, ia levar um milhão de anos para carregar o post para vocês, então, acabei decidindo dividir o post em dois.
Esta primeira parte está concentrada nas décadas de 30 e 40. As canções em negrito são as minhas favoritas. Espero que vocês gostem!
1. Dans les musettes, à Paris,
2. J'ai deux amours
3. Oh que j'aime Paris
4. La Petite femme de Paris
5. Sous les toits de Paris, Maurice Chevalier
6. À la Vilette, Arletty
7. C'est pa-pa, c'est parisien, Georges Milton
8. Coeur de parisienne, Arletty (esta tem um cover do Rufus Wainwright)
9. En parlant un peu de Paris, Henri Garat
10. La Faubourienne, Berthe Sylva
11. Fleur de Paris, Maurice Chevalier
12. Paris, je t'aime d'amour, Maurice Chevalier
13. 27, rue des Acacias, Mireille
14. A Paris tiguidiguidi, Henri Garat
15. À Paris, dans chaque faubourg, Lys Gauty
16. C'est vrai, Mistinguett
17. Depuis que je suis à Paris, Jean Sablon
18. La jeune fille du métro, Collete Renard
19. Sur les quais du vieux Paris, Lucienne Delyle
20. Le vampire du Faubourg, Gilles
21. Adieu Paris, Berthe Sylva
22. Dans les squares à Paris au printemps, Maurice Chevalier
23. Dans Paris y a une dame, Charles Trenet
24. À la belle étoile, Juliette Gréco
25. Prosper (Yop la Boum!), Maurice Chevalier
26. Je vais ao zoo avec Zizi, Fernandel
27. Sur les bords de la Seine, Lys Gauty
28. Ah si vous connaissiez ma poule, Maurice Chevalier
29. Ménilmontant, Charles Trenet
30. Minuit à Paris, Jean Tranchant
31. Les oiseaux de Paris, Charles Trenet
32. Paris, voici Paris !, Tino Rossi
33. Y'a d'la joie, Charles Trenet
34. Paris, tu n'as pas changé, Jean Sablon
35. C'était un jour de fête, Édith Piaf
36. La romance de Paris, Charles Trenet
37. La Tour Eiffel est toujours là, Mistinguett
38. La Valse de Paris, Édith Piaf
39. Le jardin, Yves Montand
40. Dans Paris y a-t-une brune, Anna Malenfant
41. De la Madeleine à l'Opéra, Lucienne Boyer
42. Paris-Tour Eiffel,
43. À Paris, Francis Lemarque
44. Paris-Tour Eiffel, Jacques Helian
45. Pigalle, Jean Sablon
46. En avril à Paris, Charles Trenet
47. Les nuits de Paris, Georges Ulmer
48. Revoir Paris, Charles Trenet
49. Les amants de Paris, Édith Piaf
50. Mademoiselle de Paris, Bing Crosby
A música desta segunda-feira é uma dica da leitora Paula Zampieri. Eu não conhecia a Ariane Brunet e já gostei logo de cara.
Boa semana pra vocês!
O videoclipe novo de Julien Doré. Estranho.
(Publicado hoje no Conexão Paris.)
Vincent Delerm é um dos grandes nomes da nouvelle chanson française e um dos meus favoritos desta nova geração. O cantor, de 35 anos, é filho do célebre escritor Philippe Delerm, cujo livro de contos La Première gorgée de bière et autres plaisirs minuscules, lançado em 1997, vendeu mais de um milhão de exemplares na França.
Vincent apareceu em 2002, com os seu disco Vincent Delerm e logo fez grande sucesso, especialmente por causa da canção Fanny Ardant et moi, em que ele descreve um caso de amor imaginário com a bela atriz Fanny Ardant.
Tive a felicidade de encontrar o vídeo abaixo que mostra Derlerm cantando a música na frente da própria Fanny Ardant pela primeira vez. Reparem como ele está nervoso e ela completamente calma. É divertidíssimo!
(Reparem também no sorriso que ela abre quando ele canta "Je lui parle pas des filles de Jussieu / Elle parle pas trop de Depardieu").
Figura contraditória na França - há os que adoram e os que detestam - Delerm já teve inúmeras paródias feitas na internet pelo seu jeito de cantar conversando e de falar e contar casos durante os shows. Já lançou mais três discos ao longo destes 10 anos de carreira e prepara mais um, ainda sem data para lançamento (sendo o meu favorito, até agora, o Les Piqûres d'Araignée).
Seu último trabalho foi um disco infantil chamado Léonard a une sensibilité de gauche, lançado em 2011 pelo projeto Toto ou Tartare, um braço especializado em lançamentos infantis do excelente selo Tôt ou Tard.
Além disso, Delerm está fazendo turnê pelos palcos franceses com um espetáculo teatral, Memory, que eu recomento muito. Tive a oportunidade de vê-lo em dezembro do ano passado e, mesmo tendo as expectativas bem altas, não me decepcionou nem por um minuto. Para quem quiser saber mais, escrevi um relato do espetáculo aqui: http://blog.soboceudeparis.com/2011/12/o-novo-espetaculo-de-vincent-delerm.html
Seguem abaixo algumas das minhas favoritas:
Bom fim de semana a todos!
Claire Denamur cresceu. Prova disse é o seu último disco, mais maduro, sério e tão diferente do primeiro, que tinha uma inocência, falava de amor, era fresco. A cantora hoje lançou mais um vídeo para promover Rien de moi, primeira faixa do seu segundo disco, o Vagabonde. Comparem ele com o levíssimo videoclipe de In the mood for l'amour e vocês vão perceber claramente a diferença na carreira da cantora.
Eu, pessoalmente, adoro quando isso acontece. Mostra que Claire veio para ficar e evoluir.
Eu esbarrei sem querer no vídeo abaixo e tinha que compartilhar com vocês. É uma cena do filme Bonjour, Tristesse, de 1958. Na cena, vocês vão ver uma jovem (e linda) Juliette Gréco em ação.
Vocês lembram que eu tinha falado da Loheem aqui? Pois é, entrei em contato com ela, e ela topou dar uma entrevista esclusiva para o Sob o céu de Paris! Legal, né? Dá uma olhada na conversa que a gente teve.
Quer ouvir as músicas dela enquanto lê a entrevista? Passa lá no BandCamp da moça: http://loheem.bandcamp.com/
Sob o céu de Paris: Quando você aceitou dar esta entrevista, eu comecei a fazer pesquisa online sobre a sua vida, para que as perguntas ficassem mais interessantes, mas eu logo percebi que não tem muita informação sobre a sua biografia nem em inglês, e muito menos em português.
Então, a minha primeira pergunta é, na verdade, um pedido: apresente-se (onde você nasceu, quando, seu nome real e, mais importante, qual foi o seu primeiro contato com a música e quando decidiu se tornar uma musicista.
LOHEEM: Isso mesmo, não há muita informação sobre a minha vida privada na internet. Afinal, eu tento colocar a minha música em primeiro plano. Mas, para você, eu abro uma exceção :). Portanto, meu nome é Julie, eu nasci no sul da França, em Avignon. Eu me envolvi com música bem cedo, mas mais especialmente aos 16 anos, quando eu tive o meu primeir violão e e comecei a compor as minhas coisas.
Colorfield é o nome do primeiro single que você lançou e também o nome do seu EP. A música já é um hit e apareceu, inclusive, em um comercial do Mercurochrome. Fale dessa sua relação com as cores que parecem te inspirar tão bem.
Não existe uma relação especial com cores. Foi só um tema como outro qualquer. Eu normalmente escrevo as minhas letras de uma forma intuitiva. Esta canção conta muitas cores, mas não é só isso. Você entende melhor o que estou falando escutando a música!
Quais você nomearia como suas maiores influências na música francesa? E quais são suas bandas e artistas preferidos no geral? Você escuta música brasileira?
Tirando alguns clássicos de samba e bossa, eu não conheço muito de música brasileira, mas ficarei feliz de aprender um pouco mais. Eu escuto muita música inglesa, desde o pop ao rap, passando pelo rock e o eletrônico.
Quanto à música francesa, eu sou muito ligada aos clássicos como Jacques Brel, Barbara, Bashung...Eu também gosto dos artistas novos, como o Sebastien Tellier. Além disso, eu admiro muito artistas mulheres como a Feist e a Bjork, que são cantoras qeu tem controle absoluto do seu universo musical e também dos seus negócios.
Atualmente, eu tenho ouvido músicas velhas: Chet Baker, Miles Davis, Beatles!
Das quatro canções lançadas no seu EP, só uma é cantada em francês. Fale mais sobre esta escolha de cantar em inglês e se você tem planos de lançar músicas na sua língua mãe.
Eu escrevi Colorfield em inglês. Não porque soava melhor, mas porque veio mais natualmente. O título foi escolhido para o comercial, e começou assim. De qualquer forma, quando eu gravei o EP, eu tive vontade de fazer uma versão em francês qeu não tivesse nada a ver com a original em termos e ritmo e letra...Hoje, eu escrevo em inglês, mas também em francês, algumas vezes a música vem em duas versões diferentes. É um exercício divertido.
Você já tem data marcada para o lançamento do primeiro álbum?
Eu tenho planejado um novo EP com 5 ou 6 faixas para 2012...Talvez saia um álbum, quem sabe! Em todo caso, não tenho uma data ainda. Atualmente, eu continuo escrevendo. Estou prestes a filmar mais um vídeo e fazer mais sessões de fotos.
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