Entrevista

Entrevista exclusiva com a Loheem!

março 19, 2012

Vocês lembram que eu tinha falado da Loheem aqui? Pois é, entrei em contato com ela, e ela topou dar uma entrevista esclusiva para o Sob o céu de Paris! Legal, né? Dá uma olhada na conversa que a gente teve.

Quer ouvir as músicas dela enquanto lê a entrevista? Passa lá no BandCamp da moça: http://loheem.bandcamp.com/


Sob o céu de Paris: Quando você aceitou dar esta entrevista, eu comecei a fazer pesquisa online sobre a sua vida, para que as perguntas ficassem mais interessantes, mas eu logo percebi que não tem muita informação sobre a sua biografia nem em inglês, e muito menos em português.
Então, a minha primeira pergunta é, na verdade, um pedido: apresente-se (onde você nasceu, quando, seu nome real e, mais importante, qual foi o seu primeiro contato com a música e quando decidiu se tornar uma musicista.

LOHEEM: Isso mesmo, não há muita informação sobre a minha vida privada na internet. Afinal, eu tento colocar a minha música em primeiro plano. Mas, para você, eu abro uma exceção :). Portanto, meu nome é Julie, eu nasci no sul da França, em Avignon. Eu me envolvi com música bem cedo, mas mais especialmente aos 16 anos, quando eu tive o meu primeir violão e e comecei a compor as minhas coisas.

Colorfield é o nome do primeiro single que você lançou e também o nome do seu EP. A música já é um hit e apareceu, inclusive, em um comercial do Mercurochrome. Fale dessa sua relação com as cores que parecem te inspirar tão bem.

Não existe uma relação especial com cores. Foi só um tema como outro qualquer. Eu normalmente escrevo as minhas letras de uma forma intuitiva. Esta canção conta muitas cores, mas não é só isso. Você entende melhor o que estou falando escutando a música!

Quais você nomearia como suas maiores influências na música francesa? E quais são suas bandas e artistas preferidos no geral? Você escuta música brasileira?

Tirando alguns clássicos de samba e bossa, eu não conheço muito de música brasileira, mas ficarei feliz de aprender um pouco mais. Eu escuto muita música inglesa, desde o pop ao rap, passando pelo rock e o eletrônico.

Quanto à música francesa, eu sou muito ligada aos clássicos como Jacques Brel, Barbara, Bashung...Eu também gosto dos artistas novos, como o Sebastien Tellier. Além disso, eu admiro muito artistas mulheres como a Feist e a Bjork, que são cantoras qeu tem controle absoluto do seu universo musical e também dos seus negócios.

Atualmente, eu tenho ouvido músicas velhas: Chet Baker, Miles Davis, Beatles!

Das quatro canções lançadas no seu EP, só uma é cantada em francês. Fale mais sobre esta escolha de cantar em inglês e se você tem planos de lançar músicas na sua língua mãe.

Eu escrevi Colorfield em inglês. Não porque soava melhor, mas porque veio mais natualmente. O título foi escolhido para o comercial, e começou assim. De qualquer forma, quando eu gravei o EP, eu tive vontade de fazer uma versão em francês qeu não tivesse nada a ver com a original em termos e ritmo e letra...Hoje, eu escrevo em inglês, mas também em francês, algumas vezes a música vem em duas versões diferentes. É um exercício divertido.

Você já tem data marcada para o lançamento do primeiro álbum?

Eu tenho planejado um novo EP com 5 ou 6 faixas para 2012...Talvez saia um álbum, quem sabe! Em todo caso, não tenho uma data ainda. Atualmente, eu continuo escrevendo. Estou prestes a filmar mais um vídeo e fazer mais sessões de fotos.

Benjamin Biolay

Eventos Fnac

janeiro 14, 2012

Lembram que eu fui ao uma entrevista com Benjamin Biolay no fim do ano passado?

Pois é, aquela entrevista faz parte da série de eventos promovidos pela Fnac.

Como o site da Fnac é muito confuso e eles dividem estes eventos por região, vou tentar organizar aqui para vocês a agenda para quem estiver indo para Paris em breve não perder estas pequenas pérolas que a Fnac promove gratuitamente.

O próximo evento com chanson française é o descrito abaixo:

La Grande Sophie
Data: 18 de fevereiro
Horário: 18h
Onde: Fnac Saint-Lazar
Clique aqui para saber mais.


Para quem gosta de gibis, recomendo (em negrito mesmo) a leitura da série de livros de Guy Delisle: ele é casado com uma mulher que trabalha para os Médicos sem Fronteiras e, por causa da esposa, vai morar nos cantos mais conflituosos do mundo. Guy estará na Fnac do Les Halles no dia 25 de janeiro autografando seu último livro: Crônicas de Jerusalém. Eu li e achei incrível. Mais detalhes, aqui.

Benjamin Biolay

Entrevista com Benjamin Biolay

novembro 30, 2011

Benjamin Biolay lançou ontem o seu primeiro Best of e, em razão do lançamento, a Fnac promoveu um encontro gratuito com o cantor na sua filial Ternes, em Paris. É com muita frequência que este tipo de encontro acontece na Fnac em toda a França e o truque é checar sempre na página da Fnac francesa a programação cultural.

Eu mesma já tive a sorte de ver o grande animador John Lasseter no verão passado e, devido a esta experiência, sabia que teria que chegar bem antes para conseguir um lugar no evento do Benjamin Biolay.

Saí de casa, portanto, com 3 horas e meia de antecedência e cheguei à Fnac Ternes por volta de 16h. Havia só uma mulher quando eu cheguei sentada já na primeira fileira e eu me juntei a ela, pronta para esperar até as 18h30, quando Benjamin Biolay deveria ocupar a cadeira logo na minha frente e, se eu tivesse sorte, cantar uma das suas canções.

A espera foi mais tranquila do que eu imaginava: esperar em uma livraria é muito mais divertido do que na fila de banco e, portanto, logo me aproveitei do acervo e busquei um volume das aventuras de Astérix para ler enquanto aguardava.

Aos poucos, foi chegando mais gente e a mulher que se sentou do meu lado logo virou melhor amiga da vizinha dela. Ela parecia muito animada e cheia de expectativa. Ao se sentar, se virou para mim e perguntou: Tu penses qu'il va jouer? e eu respondi que não, pela distância do piano e pela ausência de técnicos de som, ele provavelmente não tocaria nada. Achei engraçado ela me tratar por tu, uma vez que ela não me conhecia e eu certamente não tinha dado a liberdade, mas tenho a impressão de que o elo que une os fãs dispensa mesmo a formalidade do vous. Ela tinha todos os discos de Biolay nas mãos e certamente é uma das maiores fãs do compositor.
 
Por volta das 18h20, Benjamin chegou e atravessou o palco na nossa frente a caminho do camarim. A sala, já abarrotada de gente, apladiu e ele acenou e sorriu. Ficou no camarim por alguns minutos, e logo saiu, com uma camisa xadrez, para a entrevista. A moça do meu lado saltava na sua cadeira.

A entrevista não foi muito longa e eu não entendi completamente tudo o que foi dito, mas, mesmo com o meu francês precário, pude notar que Benjamin Biolay estava sendo simpático e bem humorado. O entrevistador já abriu com uma pergunta levemente polêmica, ressaltando o fato de que o lançamento de um Best of não foi exatamente uma escolha de Biolay. Ele respondeu politicamente, dizendo que não, que era mesmo idéia da EMI e que, por questões contratuais, eles poderiam lançar o disco mesmo sem o seu consentimento e, por isso, ele fez questão de se envolver no trabalho e está contente com o resultado.

Depois disso, ele mencionou uma informação muito interessante que eu não tinha a menor idéia. Como vocês já sabem, Biolay começou a carreira em 1999, colaborando com um disco de Keren Ann e o par foi logo convidado por Henri Salvador para fazer parte do seu disco Chambre avec vue, com o qual ele colaborou com mais de uma faixa, incluindo a mais famosa chamada Jardin d'hiver.  Com isso, Benjamin ficou muito próximo de Henri Salvador e, este ano, ele foi convidado a fazer parte de um projeto que visa resgatar músicas inéditas gravadas a capella por Henri Salvador, arranjá-las e lançar um disco no ano que vem. Quis saber o nome do projeto, mas, quando a entrevista foi aberta para perguntas, os espectadores estavam tão cheios de questões para Biolay (incluindo a moça sentada ao meu lado, que foi a primeira a perguntar), que não tive chance.

Depois das perguntas, Biolay, simpático e atencioso, fez dedicatórias para toda uma fila de fãs que se apertaram para chegar perto do cantor. Os seguranças estavam tensos e ficavam dando ordens para todo mundo  e pedindo que respeitássemos a ordem e não demorássemos muito conversando com ele. Quando chegou a minha vez, disse a ele que eu era brasileira e que tinha um blog de música francesa. Ele foi super simpático, quis saber o endereço do blog e de onde eu vinha no Brasil e escreveu Bejos na dedicatória.

Alain Souchon

O novo de Alain Souchon

novembro 19, 2011

Eu já tinha postado aqui a primeira música do próximo disco de Alain Souchon, que será lançado nesta segunda-feira, dia 21 de novembro.

Navegando pelo Le Monde agora, no entanto, encontrei uma matéria sobre o novo trabalho de Souchon e vi que há um player exclusivo para ouvir as músicas antes do lançamento.

Quer escutar? Então, clica aqui.

Entrevista

Bande Dessinée

outubro 10, 2011

Vocês lembram que, há um tempo, eu fiz uma entrevista com a Bande Dessinée aqui pro blog?


Pois é, eles acabam de lançar o primeiro álbum, o "Sinée qua non" (com essa capa linda da imagem ao lado), e, como uma banda super moderna e legal, disponibilizaram o download no site oficial da banda.

Tem músicas em francês e em português e eu selecionei uma para colocar aqui para vocês ouvirem.

Trata-se da primeira faixa do disco e chama-se "Bande à parte". Eu adorei. Clica no link aí embaixo para ouvir.

Entrevista

Entrevista com a Bande Ciné

junho 29, 2010

Há algum tempo venho acompanhando o trabalho de uma banda brasileira chamada Bande Ciné. Eles são lá do Recife e super simpáticos, além de produzirem um som super legal. Entrei em contato com eles para pedir uma entrevista que vocês podem conferir aqui embaixo. Para conhecer melhor o trabalho desta banda que canta em francês com um sotaque pernambucano, visite o MySpace deles


SCDP: Eu vou começar fazendo a pergunta que todo mundo me faz e que eu nem gosto tanto de responder, mas não tem outro jeito: por que a música francesa?

BC: O motivo foi uma forte identificação musical com o que estava sendo feito no cenário cultural do anos 60 na França e com a sonoridade muito inventiva de vários artistas dessa época. O nosso link foi pelo som, obviamente o idioma influencia muito na forma como ouvimos uma canção e a sonoridade do idioma Francês. Um outro grande motivo foi o fato de ter encontrado um contexto bastante diversificado de artistas e sonoridades que estavam ligados a uma vanguarda mundial e conectados com várias outras culturas. Essa geração foi um pouco ofuscada pela beatlemania, artistas como Serge Gainsbourg e France Gall tem pouco reconhecimento fora da França. Foi interessante também porque passamos a compor usando a língua francesa e misturando com o português. Acho que foi por aí....

Conta pra gente um pouco de quem são as pessoas que fazem parte do Bande Ciné, de onde elas vem e onde se conheceram.

BC: Todos da Bande Ciné são músicos e já tocavam em outras bandas, moramos todos aqui em Recife, a maioria na zona norte da cidade. Tati cantava em outras bandas, como a Lady Sings the blues e já nos conhecemos há um bom tempo. Thiago Suruagy (bateria) toca comigo desde há 10 anos. Márcio Oliveira (trompete) tocou comigo e com Thiago na Vermute e toca em várias bandas e artistas aqui da cidade, sobretudo um que gosto muito chamado Zé Cafofinho. Bruno Vitorino já tocava em algumas bandas e está se tornando um arranjador, ele coordena isso na Bande Ciné, começou a fazer isso também para outras bandas e está começando a montar um trabalho autoral explorando a linguagem do jazz, sobretudo o freejazz. Vale a pena também falar de Demóstenes Macaco um grande parceiro meu que já tocou trompete na bande e hoje se dedica ao seu grupo de samba o Trio Pouca Chinfra e Andre Sette que tocou teclado conosco que toca na Anjo Gabriel. Eu toquei com alguns grupos e hoje toco guitarra e efeitos na Ínsula. Bom, como deu pra perceber em Recife os músicos se dividem em várias bandas e projetos e a Bande Ciné termina sendo influenciada por todos esses sons que ouvimos e tocamos com vários outros músicos.

O Myspace de vocês diz que, além de músicas francesas, vocês tocam "Tu vuò fà l'americano", que é cantada no dialeto napolitano e aparece no filme "O talentoso Ripley". Além disso, vocês dizem interpretar também a música tema do "Bicicletas de Belleville". Muita referência cinematográfica, né? Explica pra gente isso e o porquê do nome da banda.

BC: Total. O nome Bande Ciné é um trocadilho com bande dessiné que em francês significa história em quadrinhos, mas pode significar também banda de cinema ou bando (grupo) do cinema. Então, tem totalmente a ver. Os artistas que nos inspiraram atuaram em filmes, Bardot, Jane Birkin, todos tinha uma ligação forte com o cinema e a imagem visual, Gainsbourg foi diretor e roteirista também, além de todo mundo gostar de cinema. As trilhas musicais são uma forte inspiração para gente, tanto que acabamos compondo a música Perdizes para uma personagem do curta-metragem "Minha alma é irmã de Deus" da diretora Luci Alcântara inspirado no livro homônimo de Raimundo Carrero. Talvez tenha uma longa-metragem e devemos também estar presente nesta trilha. Espero que continue rolando novos convites para Bande Ciné fazer trilhas para filmes.

E quando sai disco? Conta um pouco dos planos para o futuro.

BC: Pois é, eu também gostaria de dizer uma data precisa, mas estamos no meio do processo. As músicas já estão compostas, mas estamos trabalhando nos arranjos e na pré-produção das músicas. Acho que em 2011 este disco vai sair, mas por enquanto vamos deixando as coisas tomarem forma, para não tirar o brilho. hehehehe. Continuamos apresentando nosso show, colocando novas músicas e tocando algumas das músicas que farão parte do disco. Fizemos um show bem emocionante esse ano abrindo para a banda francesa Nouvelle Vague em Olinda e fomos em João Pessoa pela primeira vez. Nossa ideia é conseguir rodar também por outras cidades, espero que pinte uma oportunidade de ir na sua terra (Belo Horizonte). Quando o disco tiver para ser lançado, nós damos o toque.

Para fechar, uma pergunta meio piada, meio séria. Enquanto procurava saber mais sobre vocês, acabei dando de cara com uma "Banda Cine", que é do interior de São Paulo e, aparentemente, tem um público grande e nada a ver com o de vocês. Tem muita gente que faz confusão? Alguma história engraçada? Já chegaram a pensar em trocar de nome por causa disso?

BC: É engraçado, não rola muita confusão, só rolou algumas vezes no twitter, por erros de digitação. Mas, na prática acho que temos estilos e públicos tão diferentes que não dá muito problema. 

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