Publicado hoje, n'O Globo.
O verão vai terminando e a sensação de quero-um-pouco-mais começa a se instalar em todos os parisienses. Aqueles que não estão de férias, aproveitando o sol e a praia, permanecem na Cidade-Luz sedentos pelos últimos raios de sol, pelos últimos dias de calor, pelas últimas oportunidades de sair de casa com uma camiseta leve sem a preocupação e o peso de carregar um casaco para a rua. Por isso, os parques e as fontes da cidade se enchem de atrações para as pessoas aproveitarem a última brisa abafada da estação mais feliz do ano.
Um bom programa para aproveitar o finalzinho do verão é o maior festival de curta-metragens ao ar livre de Paris, o Festival Silhouette. O evento está na sua décima segunda edição e, este ano, por causa de obras no delicioso Buttes Chaumont, ele vai acontecer em um parque ao lado, bem menor e bem menos conhecido, o Parc de la Butte du Chapeau Rouge. A programação conta com 9 dias de projeções e de shows ao ar livre. A centena de curtas foi selecionada entre 3700 obras do mundo todo e conta com animações, documentários, ficções e videoclipes.
Festival Silhouette
Parc de la Butte du Chapeau Rouge
5 avenue Debidour
75019, Paris
Do dia 31 de agosto ao 8 de setembro
Publicado hoje, n'O Globo.
Todas as vezes que eu escrevo sobre a relação de Paris com o cinema, sinto que estou chovendo no molhado, como dizem lá na minha terra. Mas a verdade é que o assunto vem sempre em pauta, justamente porque a relação dois dois é tão estreita. O Forum des Images de Paris é uma instituição cultural dedicada à produção audiovisual que, além de incentivar e dar apoio aos profissionais, ainda organiza festivais, debates e palestras sobre cinema.
Além disso, o órgão possui uma página na rede social Pinterest que é interessantíssimo e que vai fazer os amantes da Cidade-Luz perderem horas navegando entre os diversos painéis organizados por tema. Dois dos mais interessantes são o Paris nos títulos de filmes, que mostra diversos cartazes de divulgação com o nome da cidade em seu título, e o Pedaços de filmes gravados em Paris que lista várias cenas de grandes películas filmadas aqui. Cliquem no canal do Forum des Images e divirtam-se!
Publicado hoje, n'O Globo.
As origens do famoso tapete vermelho remontam desde a época da Grécia antiga e os historiadores não sabem precisar exatamente quando começou a tradição. É certo, no entanto, que hoje em dia não há festival ou comemoração de luxo que se preze que não conte com a perpetuação deste curioso hábito milenar. Naturalmente, Cannes, um dos maiores festivais de cinema do mundo, obedece a tradição grega e estira, diariamente, 3 tapetes vermelhos ao longo dos 10 dias de festival.
Martin Esposito é um francês de 36 anos que passou a sua adolescência atrás de ondas para fazer windsurf e, sempre em contato íntimo com a natureza, acabou virando um ativista ecológico. Com família na Côte d'Azur, em 2008 decidiu começar a fazer um documentário sobre os lixões que via em torno da sua região, considerada uma das mais belas da França. Foi aí que, um dia, Martin viu um caminhão chegar com quilômetros de tecido vermelho e logo se deu conta de que se tratava do tapete onde as estrelas cinematográficas caminham diariamente em direção a projeções e premiações.
Deste contato, surgiu o filme "Super Trash", que acabou inspirando entidades de apoio ao meio-ambiente a fazerem uma petição online sugerindo que, em Cannes, se trocasse o tapete vermelho uma vez ao dia, em vez de 3, economizando, assim, cerca de 12 quilômetros de tecido que, invariavelmente, serviriam para que as estrelas caminhassem por algumas horas e depois para entupir rios e matar vida durante anos. Uma vez por dia me parece uma concessão bem razoável, não é?
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Foi divulgada há poucos minutos em Paris, às 11 da manhã (hora local), a lista de filmes que concorrerá na 66a edição do Festival de Cannes, que, este ano, acontecerá entre os dias 15 e 26 de maio. Entre os selecionados, aparecem os Irmãos Coen, Soderbergh, Nicolas Winding Refn e até o polêmico Roman Polanski.
Com a presença da mestre de cerimônias Audrey Tautou, a eterna Amélie Poulain, e com o grande Steven Spielberg na cabeceira da mesa de juri, o festival abrirá oficialmente com a projeção da versão cinematográfica do clássico de Scott Fitzgerald "O Grande Gatsby", assinada por Baz Luhrmann e com Leonardo DiCaprio no papel principal. A mostra paralela do festival, chamada de "Un certain regard", será aberta com "The Bling Ring", filme de Sofia Coppola inspirado por um artigo da revista Vanity Fair que conta a história de um grupo de adolescentes de Los Angeles que roubam roupas e acessórios de luxo de dentro da casa de celebridades.
O cartaz do festival, que sempre chama atenção pela beleza, este ano traz um beijo incrível de Paul Newman em sua esposa e parceira de vida Joanne Woodward, com quem o ator passou 50 anos casado, até a sua morte em 2008. O retrato, tirado pelo fotógrafo do set do filme "Amor daquele jeito", que conta uma história de amor pouco tradicional e se passa em Paris na década de 60, foi manipulado pela agência de comunicação Bronx para ter um pano de fundo movimentado, dando uma idéia mais cinematográfica ao beijo do casal.
O encerramento do festival, no dia 26 de maio, terá a projeção do filme "Zulu", do diretor francês Jérôme Salle, com o talentoso Forest Whitaker e o ex-elfo Orlando Bloom.
Quem nunca passou debaixo de uma ventilação de metrô e esperou passar aquele ventinho pra levantar a saia? Pois eu já. E sempre acho graça, mesmo que lutando desesperadamente para esconder as vergonhas - e, muitas vezes, a depilação vencida - do mundo que parece não conseguir apreciar mais a sutileza do erotismo discreto.
Domingo passado fez 50 anos que o mundo perdeu a rainha da sensualidade dos meados do século XX. Ela era linda, engraçada, inteligente, insegura e, vamos admitir, meio louca, mas ninguém jamais foi como Marilyn Monroe.
Ela inspirou gerações com os seus cabelos, roupas provocantes, poses e trejeitos, e foi copiada, imitada, homenageada e referenciada à exaustão. É natural, portanto, que a música pop tivesse falado dela, e o Le Figaro até listou algumas das canções inspiradas por Monroe ao longo das últimas décadas.
A lista é interessante, mas achei curioso que o Figaro tenha esquecido a homenagem francesa mais bonita dos últimos 10 anos e decidi fazer justiça aqui.
O primeiro disco de Benjamin Biolay, chamado Rose Kennedy - um álbum que trada da família do ex-presidente JFK -, fala repetidas vezes de Marylin, utiliza samples da voz dela em algumas músicas, usa um pedaço de River of no Return em Les cerfs volants, e o videoclipe de Les Roses e les Promesses até simula uma cena de um quarto parisiense no dia da morte da diva.
Li aqui que os samples da voz de Marilyn foram tirados do mais que excelente Quanto mais quente melhor, de Billy Wilder. Recomendo fortemente este filme. Tirando os óbvios, recomendo também How to marry a millionaire com a extraordinária Lauren Bacall (não sei o nome em português, quem souber, por favor, comente!)* e, claro, o Adorável Pecadora, filme com Yves Montand.
*Segundo o Vinicius, que comentou aqui embaixo, o nome do filme em português é "Como agarrar um milionário".
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