Curiosidades

Bruno Lenoir e Jean Diot

dezembro 22, 2017

Outro dia eu passei pela charmosa rue Montorgueil de dia e reparei em uma placa que nunca tinha notado. 


"No 4 de janeiro de 1750, na rua Montorgueil, entre a rua Saint-Sauveur e a antiga rua Beaurepaire, foram presos Bruno Lenoir e Jean Diot. Condenados por homosexualidade, eles foram queimados na praça da Greve (n.a.: atual praça do Hôtel de Ville) no dia 6 de julho de 1750. Foi a última execução por homossexualidade na França."

Fui pesquisar a história por trás desta placa e descobri que os dois homens eram trabalhadores pobres que foram flagrados por um policial "fazendo barulho" na madrugada do dia 4 de janeiro de 1750. A história toda por trás da prisão de ambos me pareceu bem mal contada - com depoimentos contraditórios e sem muitas bases legais-, e o processo que levou à condenação de morte dos dois não pareceu levar em conta a palavra das vítimas. A impressão, segundo cronistas da época, era que o sistema penal queria dar um exemplo à população e escolheu os dois trabalhadores como bodes expiatórios.

Em 1791, com o novo código penal, o "crime de sodomia" foi descriminalizado, mas foi somente em 1982 que a França protegeu legalmente os homossexuais contra crimes de preconceito. A placa da rue Montorgueil foi inaugurada em outubro de 2014 pela prefeita Anne Hidalgo.

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Quando a França adotou o sistema métrico

dezembro 03, 2017


Quando a França adotou o sistema métrico, lá pelos idos de 1790 (sim, justo com a Revolução Francesa!), foi estipulado que seria necessário distribuir "medidores" pela cidade de Paris que permitissem que as pessoas tivessem uma noção clara do que era o tamanho de um metro, do peso de um quilo e da quantidade de um litro. O antigo e impreciso sistema imperial, composto de pés, polegadas e jardas (a distância entre o nariz e a ponta do dedo do rei Henrique I da Inglaterra) estava em vigor havia muitos séculos e a tarefa de ensinar o novo sistema para a população não seria fácil.

Ficou então decidido por uma Convenção Nacional que seriam distribuídas 16 placas de mármore pela capital francesa para facilitar no processo de transição. Além disso, seriam também colocados exemplos de pesos de um quilo e medidas de um litro. Infelizmente, a única destas medidas que restaram nos dias de hoje em Paris foi uma das placas de mármore que mostrava o metro.

Ela está localizada em frente a uma das entradas do Jardin du Luxembourg, no número 36 da rue de Vaugirard (como indicado no mapa abaixo). Ao lado do grande bloco de mármore, uma placa conta a história dos metros de Paris e, mais ao alto, uma inscrição na parede indica a altura de 2 metros.




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Piscina naturista

outubro 23, 2013

Publicado hoje, n'O Globo.



Se por acaso um dia você estiver em Paris e bater uma vontade incontrolável de nadar pelado, eu fico muito feliz em comunicar que seu desejo é possível. A piscina Roger le Gall, em parceria com a associação dos naturistas de Paris, promove atividades durante toda a semana para aqueles que desejam fazer esporte sem ter que se incomodar com roupas.

A piscina, que é propriedade da prefeitura, reserva horários para os naturistas utilizarem seu espaço não só debaixo d'água, como também na academia que faz parte do complexo da Roger le Gall.  Para os interessados, a piscina fica aberta durante duas horas para a utilização dos naturistas nas segundas, quartas e sextas e a academia é reservada nas terças e quintas. Mas atenção: embora a roupa de banho seja dispensável, a touca de natação é obrigatória!



Piscine Roger le Gall
34, boulevard Carnot
75012, Paris

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Água para todos

agosto 12, 2013

Publicado hoje, n'O Globo.




A ideia de oferecer água potável e gratuita para os seus habitantes surgiu em Paris da cabeça não de um francês, mas de um inglês apaixonado pela Cidade-Luz. Sir Richard Wallace, um homem que dedicou a sua vida e a sua fortuna a ajudar os outros, herdou uma grande herança em 1871 e, notando uma tendência ao alcoolismo entre os parisienses pobres e miseráveis (principalmente depois da guerra, quando a água era mais cara que o vinho), decidiu dar de presente para a cidade diversas fontes que distribuiriam água gratuita para quem estivesse com sede.

A tradição de fontes de água potável grátis se mantém até hoje e podemos encontrar as famosas Fontes Wallace espalhadas por todos os cantos da cidade. A ideia deste generoso inglês tomou um outro rumo ano passado, como eu já tinha falado aqui antes: Paris ganhou fontes com água gasosa gratuita! O projeto parece ter feito um enorme sucesso e, de uma única unidade no começo de 2013, a prefeitura passará a disponibilizar cinco até o fim do ano. A última delas, aberta na semana passada em frente ao Parc André Citroën, oferece ainda a venda de uma charmosa garrafa reutilizável desenhada pelo francês Philippe Starck e criada em parceria com a France Libertés, uma associação que luta pelo direito de água para todos. A cuia moderna custa 5 euros, é prática e ainda promete virar objeto de colecionador.  
Nova Fonte de Água Gasosa
Parc André Citroën
2 Rue Cauchy
75015 Paris

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Um mapa musical do metrô de Paris

agosto 07, 2013

Publicado hoje, n'O Globo.




A rádio parisiense Oüi FM teve a simpática ideia de homenagear as grandes bandas e canções de rock da história e refazer o mapa do metrô rebatizando as suas estações com referências musicais. O trabalho é super extenso e, se você for apaixonado por música e por Paris, corre o risco de perder um bom tempo do seu dia explorando as 303 paradas de metrô e trens da Cidade-Luz que foram renomeadas pela rádio.

Os maiores homenageados são os Beatles, que aparecem no mapa em diversas vezes com nomes divertidos como Châtelet it Be (Châtelet), St Paul McCartney (Saint Paul), Les Halles you Need is Love (Les Halles), Saint Michel ma Belle (Saint Michel) e Rue du Bac in USSR (Rue du Bac). Além dos quatro rapazes de Liverpool, várias outras bandas e artistas aparecem no mapa, como Ray Charles de Gaulle Étoile, Place de Feist, Pavementier, Passy Smith, Jourdandy Warhols, Jacques Bonjovi e Belleville & Sebastian. Grandes músicas também fazem parte da brincadeira, como These Bourse are Made for Walking (Bourse) e Roll over Gambethoven (Gambetta). Para ver a versão detalhada do trabalho, basta clicar aqui.

Curiosidades

Fatos e histórias sobre a Torre Eiffel

julho 23, 2013

Créditos: Reuters/Gonzalo Fuentes 

Publiquei ontem lá no meu blog n'O Globo um post sobre o lançamento sobre o museu virtual da Torre Eiffel, recém-aberto pelo Instituto Cultural do Google. Depois de ler tudo o que está no site sobre a torre, fui buscar em outros lugares mais informações e pequenas histórias curiosas sobre este monumento tão visitado. Vejam abaixo algumas das coisas que eu aprendi:

- A torre tem, ao todo, 324 metros de altura (incluindo a antena)
- Ela levou pouco mais de 2 anos para ser construída
- Na data de sua inauguração, Gustave Eiffel hasteou a bandeira da França e brincou dizendo que esta era a única bandeira no mundo que possuía um mastro de mais de 300 metros de altura
- São necessárias 60 toneladas de tinta para pintar a Torre inteira
- Ela é pintada a cada 7 anos, peça por peça
- A torre tem pouco mais de 18 mil peças de ferro desenhadas exclusivamente para ela
- Em 1981, a Torre passou por um rigoroso regime. No lugar das mais de 2000 toneladas, ela passou a pesar as atuais 1340
- Entre os 107 projetos que competiram com o de Gustave Eiffel, na época da Exposição Universal, tinham várias torres sendo, uma delas, uma torre de pedra
- A iluminação da torre é feita com mais de 5 bilhões (isso mesmo, bilhões) de luzes
- Quando Hitler ocupou Paris e decidiu visitar a torre, os funcionários disseram que os elevadores estavam estragados e o ditador alemão foi obrigado a subir à pé.
- Em 1912, o alfaiate alemão Franz Reichelt desenhou uma roupa pára-quedas e tentou saltar do alto do primeiro andar da Torre. Infelizmente, ele morreu na hora e existe até mesmo um filme que registrou o evento
- A Torre ficou totalmente fechada entre os 1916 e 1918 por causa da Primeira Guerra Mundial e depois entre 1941 e 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (e fechou mais uma vez em 1945)
- A primeira emissão de rádio ao vivo transmitida diretamente da Torre foi feita em 1921
- Em 1956, o quarto andar da Torre foi queimado em um incêndio e demorou quase um ano para ser reconstruído
- Em 1984, o piloto norte-americano Robert Moriarty passou pela primeira vez com um avião entre os pés da Torre. Quando perguntado pelo motivo da façanha, ele respondeu "Just for fun".

Curiosidades

O Coelho do metrô

junho 28, 2013

Publicado hoje, n'O Globo.



Quem já pegou o metrô parisiense e reparou nos detalhes da sinalização certamente já se deparou com o tradicional desenho de um coelho rosa apertando a mão nas portas com os seguintes dizeres "ATTENTION! Ne Mets pas tes mains sur la porte: tu risques de te faire pincer très fort." (em tradução livre: "ATEÇÃO! Não coloque as suas mãos na porta: você corre o risco de tomar um beliscão com força.").

Eu mesma encarei já aquele coelho milhares de vezes percorrendo as diversas linhas de Paris e sempre me perguntei: de onde tiraram este coelho e por que ele é assim tão feio? Ontem, depois de pensar em escrever um post sobre o assunto, cheguei em casa e vi que o excelente blog Le Bonbon tinha tido exatamente a mesma ideia! Depois de pesquisar um pouco, descobri que o tal coelho tem uma longa história que começa em 1977.



Aparentemente, a RATP, empresa que cuida dos transportes públicos em Paris, precisava dar um jeito de comunicar às crianças que não era uma boa ideia colocar as mãozinhas na porta e escolheu um coelho por ser um animal muito presente em fábulas e histórias infantis. O primeiro coelho, chamado de Obafemi, era marrom e ficou quase 10 anos alertando os pequenos a ficarem atentos. Na década de 80, no entanto, após algumas acusações de racismo, a RATP se viu obrigada a trocar o desenho e fez um concurso entre 260 ilustradores para escolher a nova cara do animal-propaganda. O novo coelho, então, ganhou o nome de Serge, o mesmo de seu criador, virou cor-de-rosa e teve o visual repaginado. Serge, hoje em dia, é uma celebridade da internet e possui um site e uma página (não oficial) no Facebook que conta com quase 200 mil fãs!

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Adote um Cara

maio 22, 2013

Publicado hoje, n'O Globo.



Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção quando cheguei em Paris foi a enorme quantidade de anúncios de sites de encontros que eu via no metrô. É bem verdade que a Cidade-Luz, por mais romântica que seja, é um lugar com muitos solteiros. As estatísticas mostram, segundo o delicioso site Merci Alfred, que, aqui, uma mulher em cada duas é solteira.

A variedade destes sites é enorme: tem para os jovens, tem para os mais velhos, tem para os modernos, tem para os nerds, e tem até para gente casada que quer dar uma pulada de cerca sem ter que passar pela indiscrição de sair em público para procurar. Um dos mais descolados deles, o Adopte un Mec, se destaca pelo humor e pela grande sacada dos criadores: ali, quem manda são as mulheres. Os homens são chamados de produtos e cabem às moças colocarem os mais interessantes em seus carrinhos de compras. Ao passo que as mulheres tem liberdade de fazer tudo o que querem, conversar com quem quiserem e colocar qualquer homem nos seus carrinhos, os rapazes tem limitações: não podem falar as moças sem elas terem autorizado e podem ser bloqueados e banidos simplesmente pelo fato de terem sido desagradáveis com alguém.

A novidade é que esta fórmula, que faz tanto sucesso aqui e já até abriu uma loja física situada no Forum des Halles, vai chegar em breve ao Brasil e já tem site próprio com a tradução literal do nome: Adote um Cara. Se eles seguirem o mesmo mantra francês "Le concept d'adopteunmec.com est simple. Le client est roi et, en l'occurrence, il est reine." (tradução livre: "O conceito do adopteunmec.com é simples. O cliente é rei e, no caso, é rainha." aposto que as brasileiras vão gostar!

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A história da Birkin

setembro 11, 2012

Kelly usando uma Kelly
Eu li há muito tempo esta história em um livro que não sei o nome e nem me lembro onde eu estava, mas decidi contar mesmo assim aqui no blog, porque reparei que tem um monte de gente que deseja esta bolsa sem nem saber a origem do nome dela.

Reza a lenda que, no começo da década de 80, Jane Birkin encontrou-se, durante um vôo, com o então presidente da Hermès (marca francesa de luxo cuja loja, em Paris, nem OUSO entrar). Pelo que li (e achei este link e este outro que contam a mesma coisa), ela começou uma conversa descontraída com o tal presidente e, em algum momento, comentou que nunca achava uma bolsa que atendesse as suas necessidades.

A Hermès, que já tinha homenageado a Grace Kelly em outra bolsa, deu então o nome da nossa diva britânica (e ex-mulher de Serge Gainsbourg) a este acessório que se tornaria um ícone no mundo da moda.

Segundo conta a história, logo depois de criada, Birkin recebeu de presente a bolsa que leva o seu nome em casa. É claro que fui pesquisar e descobri que Jane aposentou a sua Birkin, mas consegui encontrar uma foto dela com a bolsa que leva seu nome.

Birkin usando uma Birkin
Adoro o desdém da bolsa jogada no chão! Um exemplo para estas moças todas que parecem se esquecer de que uma bolsa é só uma bolsa, e que estilo não tem nada a ver com o preço dos objetos que alguém possui.

De acordo com este site, a bolsa foi leiloada e a renda, de mais de 160 mil dólares, foi 100% enviada para o Japão, depois do terremoto do ano passado.

Hoje em dia, eu nem sonho mais em ter uma Birkin, mas esta aí da foto eu não recusaria!






Conexão Paris

Vieille Canaille

janeiro 13, 2012

Ilustração de Vincent Lefebvre para o Sob o céu de Paris
Publicado hoje, no Conexão Paris.

O polêmico Serge Gainsbourg, parisiense de pais russos e judeus, construiu, em 62 anos de vida, uma respeitável obra que conta com mais de 400 composições. Gainsbourg não foi um só, ele foi vários personagens, experimentou diversos estilos e se transformou muitas vezes. Já foi regravado incontáveis vezes, por inúmeros artistas e nas mais variadas línguas.

Estou certa de que esta não é a única vez que vou falar de Serge Gainsbourg aqui no Conexão Paris. A sua extensa obra e a sua vida cheia de controvérsias rendem assunto para muitos e muitos posts, mas queria começar com um caso dele que acho muito curioso e que envolve outra grande figura da música francesa.

France Gall foi lançada ao estelato aos 16 anos e, por serem da mesma gravadora, logo formou com Gainsbourg uma parceria de sucesso. Em 1965, cantando no festival Eurovision, conquistou o primeiro lugar na competição - e fama internacional - graças a Poupée de cire, poupée de son, composição de Gainsbourg.

E foi justamente pela enorme visibilidade na França que, no ano seguinte, ela se viu exposta ao ridículo ao cantar a música Les Sucettes (Os Pirulitos), de Gainsbourg. O compositor encheu a canção de duplos sentidos e o vídeo de divulgação, feito em 1966, reuniu olhares estupefatos do outro lado da câmera e o pessoal nos bastidores não acreditava que a loira angelical estava realmente cantando, em rede nacional, aquela música de conteúdo altamente sexual.

Clique aqui para ver.

Até hoje, ela sustenta que  só entendeu o outro sentido de Les Sucettes quando já era tarde demais. De fato, depois que a canção se alastrou, a cantora se recusou a sair de casa durante dias e, depois disso, France teve dificuldade de se reerguer e a sua carreira nunca mais foi a mesma.

E para provar que Gainsbourg tinha mesmo muitas facetas, posto aqui uma de suas músicas mais doces.




Curiosidades

A música francesa de Obama

janeiro 10, 2012

Obama em bleu, blanc, rouge
Saiu hoje no Le Figaro uma notícia curiosa: a música da campanha do presidente norte-americano Barack Obama será composta por dois franceses de Bordeaux.

Tony Jazz e Mathieu Billon foram convidados por causa de uma edição que o primeiro fez durante a campanha de 2008, que chamou a atenção do então candidato (o vídeo está aí embaixo)

A canção ficará pronta em março e tem o nome de What more porque partirá de samples da música What more do you want from me, de Al Green.









Curiosidades

Elis em Paris

janeiro 05, 2012

Texto publicado hoje, no Conexão Paris.

A grande Elis Regina agradou tanto brasileiros quanto franceses. A sua passagem pelo Olympia, respeitada casa de shows parisiense, ficou marcada por um feito histórico: até Elis, a casa nunca tinha permitido que o mesmo artista fizesse duas temporadas no mesmo ano em seu palco.

No entanto, em 1968, Elis fez tanto sucesso com a sua turnê francesa que o Olympia acabou abrindo uma exceção para a brasileira. No mesmo ano, ela lançou um compacto com o nome de “Elis Regina em Paris” onde cantava, em dueto com Pierre Barouh (aquele mesmo, o do filme "Um homem e uma mulher"), a deliciosa versão francesa de “Noite dos mascarados”, canção de Chico Buarque.


Vale mencionar que, devido este grande sucesso, muita gente acha que Elis foi a primeira brasileira a se apresentar no Olympia, o que não é verdade. A primeira brasileira a pisar lá foi Marlene, a convite de Édith Piaf. Mas esta é uma história para outro dia. Bom fim de semana a todos!

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